
Em 2025, a vida ainda parece como um palco iluminado
O teatro da vida
O teatro da vida, de novo em cartaz
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A vida continua sendo um palco. As luzes se acendem e, mais uma vez, você está no centro. Essa luz não é promessa de aplausos; é lembrete de responsabilidade. Desde outubro de 2023, muitos de nós — em Israel e também quem acompanha de fora, como tantos brasileiros — aprendemos isso do modo mais duro: mudanças repentinas, ausências, incertezas. O roteiro mudou, mas o palco não desapareceu. Continuamos atuando, muitas vezes com lágrimas, uns pelos outros.
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Você não é o único ator
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Um erro clássico na “Escola da Vida” é achar que somos os únicos em cena. Somos parte de um elenco enorme: família, vizinhos, colegas, a pessoa que abriu a porta do abrigo, o voluntário que montou cestas, o profissional de saúde que não dormiu. Com ou sem qualquer um de nós, o espetáculo continua — não para diminuir nosso valor, mas para nos libertar da grandiosidade e da solidão. Humildade não é se apagar; é trabalho de conjunto.
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Participação acima de plateia
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“Não estar sozinho” é mais do que marcar presença. É participar: ouvir com o mesmo cuidado com que fala, dividir o mérito, carregar um pouco mais quando alguém não consegue. Depois de 10/2023, redescobrimos a cidadania do dia a dia — checar um idoso, doar sangue, dar aula de reforço para a criança cujo pai ou mãe está ausente, oferecer carona, acolher.
A Escola da Vida pede colaboração, não presença passiva.
Dar transforma quem dá
Receber nos ajuda a sobreviver; dar nos ajuda a curar. A alegria de dar é diferente — mais calma, mais profunda, mais constante — porque converte dor em propósito. Dê o que puder: tempo, habilidade, paciência, um prato de comida, uma indicação de trabalho, uma segunda chance justa. O paradoxo é que a generosidade se reabastece: quanto mais oferecemos, mais capacidade descobrimos.
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Seus erros fazem parte do enredo
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Você vai perder entradas. Vai dizer a fala errada. Há um preço pelos erros e, num elenco, às vezes outros pagam parte dele. Assuma rápido e repare o que for possível. Responsabilização não é autoagressão; é respeito pelo conjunto.
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Amizade: rara e prática
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Valorize amigos como um adereço precioso — manuseie com cuidado, não pegue sem pedir, devolva em melhor estado. Não exija da amizade aquilo que ela não pode dar. Cada um traz ferramentas diferentes para a cena: um oferece humor, outro logística, outro presença silenciosa. Espere diferenças, não perfeição.
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Expectativas, perdão e limites
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Baixar expectativas não é cinismo — é realismo que protege o coração. Perdoe os outros porque você também vai precisar de perdão, e comece por você, ou nunca o fará com honestidade. Ao mesmo tempo, mantenha limites. Compaixão não exige aceitar dano. Você pode amar o elenco e ainda assim dizer: “Assim não, agora não.”
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Aponte bem o holofote da sua atenção
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Em 2025, nossa atenção é puxada por rolagem infinita, boatos e indignação constante. Proteja seu holofote. Direcione-o para as pessoas à sua frente, para o aprendizado, o trabalho bem feito, o descanso. Desligue o que inflama e se volte ao que ancora: estudo, oração, caminhada, uma refeição decente, uma história de dormir, uma ligação para quem está só.
Coragem nas cenas ordinárias
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Nem toda cena é heroica. A maior parte da vida são trocas de figurino, sinais discretos, momentos pequenos. Coragem hoje pode ser voltar ao trabalho depois do luto, pedir ajuda, dizer a verdade com gentileza ou simplesmente chegar no horário. O espetáculo se constrói com cenas comuns executadas com fidelidade.
O curso não acaba
A Escola da Vida não tem formatura. Cada dia é uma nova lição; cada lição chega sem aviso. Em alguns dias você ensina, em outros aprende, e na maioria faz as duas coisas. Se tiver a graça de estar sob a luz, use-a para iluminar o caminho de outra pessoa.
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Nota de cortina para 2025 (para leitores no Brasil e amigos de Israel)
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Carregamos ausências e seguimos a apresentação. Honramos quem falta atuando bem — com humildade, solidariedade e esperança. O holofote não serve para vaidade; serve para serviço. Tome seu lugar. Diga sua fala. Ouça o próximo sinal. E, quando a cena terminar, ajude a preparar o palco para quem vier depois.
Nascido no Brasil em 1957, Dr. Tzvi Szajnbrum, advogado e notário é o diretor e fundador do Grupo Szajnbrum. ​ Ao completar 20 anos, deixou o Brasil e imigrou para Israel; serviu no Exército de Defesa de Israel como combatente, alcançando, inclusive, a patente de Major. ​ Cursou direito na Michlala LeMinhal, Dr. Tzvi se tornou membro da Associação dos Advogados de Israel e hoje, atua como advogado, notário e mediador na área de direito da família em Israel.





